Reconhecer a necessidade de repensar o ato de comer e a relação pessoal com o alimento são fundamentais para o sucesso do tratamento
A cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, é encarada por muitos como algo “mágico”, que se resume em operar e dizer adeus à gordura. Porém, o procedimento não tem resultados positivos caso haja falta de comprometimento do paciente e despreparo psicológico. O Brasil é o segundo país que mais realiza técnicas cirúrgicas para o tratamento da obesidade, com crescimento significativo nos últimos sete anos, de 275%. De acordo com a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), o número de cirurgias pulou de 16 mil, em 2003, para 60 mil, em 2010.
Segundo a psicóloga do Hospital CECMI, Isabel Paegle, “para os que escolhem emagrecer através de cirurgia, é preciso entender que o processo é longo e que a gordura acumulada durante anos não irá sumir de um dia para o outro. O acompanhamento psicológico antes e após o procedimento é fundamental para a preparação e aceitação do indivíduo às mudanças de hábitos e estilo de vida, pois isso influenciará muito no resultado”.
De acordo com a psicóloga especialista em terapia comportamental-cognitiva pela USP e transtornos alimentares pela Unifesp, Marilice Rubbo de Carvalho, antes de iniciar o tratamento é necessário que o paciente realize um profundo trabalho de mudança cognitiva comportamental e se prepare para mudanças em sua programação na alimentação, com o objetivo de manter o peso perdido.
O pensamento do obeso é analisado pela auto-imagem, imagem corporal, ocupação de espaço físico e psicológico. A equipe multidisciplinar elabora encontros com os pacientes e o psicólogo realiza avaliações específicas visando o sucesso do método indicado. Bases da auto-estima e modelos de funcionamento social também devem ser trabalhados e constantemente revistos.
“O trabalho é se dedicar à escuta psicológica do paciente sempre respeitando sua história de vida, seus limites e afloramento de capacidades até então protegidas por uma série de fatores intra e extra pessoal”, declara Isabel.
Além do acompanhamento psicológico, o apoio familiar é fundamental para motivar quem se submete ao procedimento. Para a especialista Isabel Peagle, a cooperação e entendimento da urgência da técnica cirúrgica devem passar pela quebra de preconceitos e novas aprendizagens ao ato de comer e viver.